Entregando os anéis
para não perder os dedos
Cientes de que perderam o debate na sociedade, setores
do movimento sindical tentam reverter essa situação
e dar novo gás à proposta de reforma Sindical.
A última Plenária Nacional da CUT aprovou
proposta que traz mudanças apenas pontuais na
proposta original do governo e indica um caminho de
se buscar emendas à PEC que já vem sendo
rejeitada pela sociedade. O objetivo seria construir
um “novo consenso” do movimento sindical
em torno à defesa de uma reforma Sindical.
A Frente Nacional Contra
a PEC 369 manifesta-se frontalmente contrária
a essa proposta, pois trata-se de cortina de fumaça
para tentar confundir trabalhadores e a sociedade. O
caminho de emendar a PEC é o caminho da derrota
dos trabalhadores. Um novo “novo consenso”
em torno dessa idéia será tão falso
quanto o “consenso” anterior, do chamado
Fórum Nacional do Trabalho. Além disso,
estaria mantida a essência da proposta original
do governo, ou seja, abre as portas para a flexibilização
e eliminação dos direitos trabalhistas
(130, férias, licença maternidade, etc.),
dá ao Estado o poder de intervir na organização
sindical, subordina os sindicatos de base à cúpula
das Centrais Sindicais, praticamente elimina o direito
de greve e ainda aumenta o desconto nos salários
dos trabalhadores para o financiamento da estrutura
sindical.
Não aceitamos
essa proposta, nem aceitamos a posição
dos empresários que querem piorar ainda mais
a proposta de reforma, no sentido de ampliar as ameaças
aos direitos trabalhistas que ela já contem.
Manter e fortalecer
a luta pela rejeição global da PEC 369
A Frente Nacional Contra a PEC 369 reafirma sua forte
disposição de dar prosseguimento e de
intensificar o trabalho de esclarecimento e de mobilização
dos trabalhadores na base, de esclarecimento e pressão
sobre os parlamentares. O que queremos do Congresso
Nacional é a rejeição da PEC 369
em sua totalidade. Apenas dessa forma poderiam criar-se
as condições no país para que se
realize um debate democrático envolvendo os trabalhadores
na base e seus sindicatos, para definirmos quais mudanças
deveremos fazer na estrutura de organização
sindical em nosso país.
É com este objetivo que estamos convocando uma
Grande Marcha a Brasília, no segundo semestre
deste ano. Vamos ocupar Brasília para defender
os direitos trabalhistas; demonstrar o repúdio
dos trabalhadores brasileiros a esta reforma Sindical,
à política econômica e estes juros
escorchantes, pela redução da jornada
de trabalho sem redução do salário,
em defesa do emprego, melhores salários, saúde,
educação e reforma agrária. Convocamos
todos os trabalhadores brasileiros, suas organizações,
movimentos sociais, organizações populares
e entidades estudantis, a organizarem-se em cada estado
para somarem-se a esta jornada de lutas.